Marvão

Bem lá no alto, a cerca de 900 metros se ergue o castelo de Marvão. Lá em baixo avista-se a aldeia de Portagem. Anos antes na serra de S. Mamede já as minhas narinas tinham sangrado de tão puro que era o ar. Ao penetrar nas suas muralhas tive a sensação de uma entrar numa máquina do tempo e regressar ao passado. No nosso imaginário gostamos muito de nos imaginarmos na idade média. Mas não gostaria de um regresso tão rápido. Assim que lá chegasse possivelmente cortavam-me a cabeça a não ser que fosse um nobre. Deviam-me achar muito estranho e daí aos maus presságios (aqui numa tentativa de prever o futuro regressando ao passado).

Quantas batalhas e lutas se travaram ali? Ocupado por espanhóis e franceses...

Também a guerra civil entre liberais constitucionalistas e absolutistas entre 1833 e 1834 por ali passou. Ao entrar nas suas muralhas senti uma tranquilidade absoluta , ausência de sons e a vastidão do olhar pela imensa terra alentejana. Vivem cerca de 500 pessoas lá, e no seu concelho 3500. Com esta dimensão como pode ser sede de concelho? Cruzei-me com três ou quatro residentes e com uma dúzia de turistas, a maior parte espanhóis. Não existe poluição sonora, visual, sem antenas de televisão, cabos...nada disso. Um bom trabalho feito em relação à conservação que nos convida a um regresso ao passado. A Vila e cercanias foram inscritas para património mundial da Unesco em 2000.

S.M



Bolo de Aniversário de Estaline - Riga

Desde o século XIII até hoje a Letónia viveu apenas curtos períodos de independência. Cerca de 45 anos nas contas que fiz .. o que é muito pouco.

Este país viveu subjugado pela ocupação dos suecos, polacos, russos e alemães.

Não foram só os portugueses que foram colonizadores, na África, Ásia e América. Também houve colonização na Europa. Talvez por vezes esquecida e não vista como tal. Porque os ocupantes tentaram substituir a língua, controlar a população, impor a religião ...

Em Riga o que retenho mais consistentemente na minha memória são os edifícios na cidade velha, estilo renascentista holandês outros da arquitetura Arte Nova e mulheres loiras que pintam o cabelo de preto. Mas notei também que existe um pressa muito grande em apagar o passado da ocupação russa. Não gostam muito de falar disso. Embora estejam lá presentes muitos vestígios para recordar e testemunhar esse recente passado, o imponente prédio que é hoje o museu da cultura e da ciência, conhecido pelo “ Bolo de aniversário de Estaline” é o mais marcante na paisagem de Riga.

S.M.



 

Olivença ou Olivenza

Visitando Olivença (Olivenza em espanhol) oiço uma voz que me questionava: ¿te gusta mi tierra? Virei-me e reparei que era uma jovem mulher, muito orgulhosa da “sua” terra e que tentava entender se eu tinha percebido a questão. Respondi que sim. Mas continuando no centro histórico, reparava nas fortes raízes e marcas de Portugal. O símbolo das armas de Portugal, uma fachada Manuelina, igrejas, a Torre de Menagem com 36 metros, pelourinho, a calçada portuguesa na Plaza de España, a igreja de A Igreja de Santa Maria Madalena... esta igreja venceu a competição que elege os melhores e mais pitorescos recantos espanhóis em 2012. Em junho de 2010, foram inauguradas novas placas toponímicas, em azulejo, no centro histórico de Olivença, recuperando os nomes portugueses originais das ruas. Muitos desses nomes antigos continuaram a ser usados pela população até hoje, apesar da introdução de nomes castelhanos na primeira metade do século XX. Entre os 73 nomes de ruas resgatados contam-se, por exemplo, a Rua dos Oleiros e a Rua de Nossa Senhora da Conceição.

Portugal estava ali, influências de mais de 500 anos e por sua vez também o típico da estremadura espanhola a se podia ver e sentir à medida que nos afastamos do centro. Sem dúvida os dois lugares onde mais se cruzam as culturas espanhola e portuguesa são Olivença e Ceuta. Na informação escrita à entrada do centro histórico, a história da passagem de Olivença para a Espanha... foi tomada pelos espanhóis sem oposição de Portugal...mas não se revela mais, uma história muito incompleta. Mas certamente a razão de ser Portuguesa é esta:

No encerramento do Congresso de Viena, pelo Artigo 105 do Acto Final, o direito de Olivença foi reconhecido. Apesar de sua inicial resistência a esta disposição, a Espanha terminaria por ratificar o tratado mais tarde, em 7 de Maio de 1817, nunca havendo entretanto cumprido esta disposição ou restituído o território oliventino a Portugal. Questiono-me como pode Espanha reclamar Gibraltar de Inglaterra e esquecer-se de Olivença, de Ceuta e Melilha?

S.M.



Uma ajuda Divina

Ao visitar a localidade de Jerez dos Caballeros na estremadura espanhola, reparei algures numa rua, que num placard estava escrito: Jerez dos Caballeros, donde la paisón conquista los sentidos. Sem dúvida que os meus sentidos ficaram focados nas pessoas e no rebuliço do final das comemorações da semana Santa, que estavam a retirar andores, estátuas de umas igrejas para a outras. Por momentos pareceu-me que a estátua que estava a ser transportada por aquele jovem, se virava para o céu a solicitar uma ajuda Divina, para aquela população, que tal como os povos do Sul da Europa têm sofrido arduamente nos últimos anos.

S:M.

 

Patinho

Enquanto os patos adultos saiam para fora do lago, para se secarem no relvado mesmo ao lado das pessoas, este patinho e sua mãe mantinham-se permanentemente na água. Demorei cerca de meia hora para obter esta foto. O patinho não se parava de se mexer. Cada vez que disparava o botão da máquina fotográfica já ele não estava no enquadramento sempre a nadar de um lado para o outro e vigiado maternalmente. Interrogava-me, onde tinha ele armazenada tanta energia? Mas não se passava o mesmo com as crianças? Ou já me teria esquecido desse tempo? Ao olhar para o lado pude reviver essa situação. Lá estavam as crianças a correr de um lado para o outro, a gritar, a pular...e os pais atrás a vigiar. Naquela noite crianças, pais, pata e patinho iram certamente dormir um sono profundo.

S.M.


Caminhos da Fé

Uma igreja distanciada do centro de Portalegre, lá no alto. Quem a visitava ou a frequentava? Sem dúvida os fiéis. Um lugar de fé. Aquele sítio deveria revelar todo o seu esplendor da fé quando as pessoas para ali convergiam. O turista, esse também a visitava por acaso ao passar por ali, mas encontrando-a fechada, provavelmente passaria por ela e tiraria uma foto, não a imaginaria num dia de culto. A cidade estava em frente ao muro, mas baixei-me e cliquei no botão e na foto apenas aparece o muro e a cruz. A perspectiva ajudou a fixar estes elementos de fé, ao não aparecerem outros distratores. O céu dramático também contribuiu para a beleza da foto.

S.M.



Jardim dos Arcos ou da Algodeia

Cada setubalense dirá a sua sua opinião. De um lado os restos do aquedutos dos Arcos de outro a urbanização da Algodeia. Este Jardim está muito diferente.

Ao fim de semana é muito frequentado pelas pessoas da cidade. jovens deitados na relva a conversarem ou a ouvirem o mp3. Crianças a pularem e correrem ao longo do lago. Outros a praticarem aeromodelismo. Pessoas na esplanada a absorverem o sol. Quero tirar uma foto. Como difícil ficou. Gente por todo o lado.

S.M.